A Justiça do Rio de Janeiro encerrou na segunda-feira (19) a recuperação judicial do Grupo Americanas, três anos e nove meses depois do pedido feito pela varejista. A sentença, do juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, da 4ª Vara Empresarial do Rio, vale para a Americanas S.A. e para as subsidiárias B2W Digital Lux, JSM Global e ST Importações. Na terça-feira (20), as ações da companhia (AMER3) chegaram a subir 25,63%, cotadas a R$ 7,50, segundo o InfoMoney. A decisão ainda pode ser contestada por recurso.

A crise começou em 11 de janeiro de 2023, quando a empresa comunicou ao mercado "inconsistências contábeis" inicialmente estimadas em cerca de R$ 20 bilhões. Oito dias depois, a Americanas entrou com o pedido de recuperação judicial, declarando dívidas de cerca de R$ 43 bilhões. A recuperação judicial é o mecanismo da Lei 11.101/2005 que permite a uma empresa em dificuldade renegociar suas dívidas com os credores sob supervisão da Justiça, sem que as cobranças levem à falência imediata.

O plano de recuperação foi aprovado pelos credores em dezembro de 2023 e homologado pela Justiça em fevereiro de 2024. Em 25 de março de 2026, a companhia pediu o encerramento do processo, em fato relevante, argumentando ter cumprido as obrigações vencidas nos dois anos seguintes à homologação. A administração judicial e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro deram pareceres favoráveis. Segundo a Bloomberg Línea, o juiz rejeitou objeções de detentores de títulos emitidos no exterior, que questionavam a conversão de dívidas de dólares para reais, além de manifestações de fornecedores e locadores.

O que muda para as empresas

Para fornecedores e credores, o fim do processo não apaga as obrigações previstas no plano. Na sentença, o juiz escreveu que um credor que se considere prejudicado por descumprimento "poderá requerer a execução específica ou a falência". Os pedidos de habilitação e de impugnação de créditos que ainda estão em andamento continuam na mesma vara. A companhia também poderá retirar a expressão "em recuperação judicial" de sua denominação nos registros oficiais, o que costuma pesar em cadastros de crédito, contratos e negociações comerciais.

No varejo, a Americanas chega a essa etapa com uma operação menor. A rede passou de 1.863 lojas em setembro de 2022 para 1.448 em março de 2026, segundo a Bloomberg Línea. No período, a empresa vendeu a Uni.co, dona da Imaginarium e da Puket, por R$ 162 milhões, e dez lojas da Natural da Terra por R$ 69,3 milhões. Também adotou o modelo de loja dentro de loja com marcas como WePink e Panini.

Para o mercado de marketing, a empresa lançou a Americanas Ads, operação de retail media, que é a venda de espaços publicitários nos canais do próprio varejista para as marcas que ele comercializa. Segundo a Bloomberg Línea, a base tem 37 milhões de clientes identificados. O Meio & Mensagem informou que uma parceria com o MegaMídia Group tem a meta de dobrar a receita de retail media até o fim de 2026. Nos números financeiros, a companhia registrou lucro líquido de R$ 98 milhões nas operações regulares em 2025 e prejuízo líquido de R$ 274 milhões no segundo trimestre de 2026, de acordo com a Bloomberg Línea.

R$ 43 bilhõesDívidas declaradas no pedido de recuperação judicial, em janeiro de 2023 (Poder360, InfoMoney e Bloomberg Línea)

“[O encerramento] representa um marco importante na trajetória da companhia.”

— Americanas, em fato relevante assinado pelo diretor financeiro e de Relações com Investidores, Sebastien Durchon, segundo o Poder360

O que observar a seguir

  • A administração judicial tem 15 dias para apresentar relatório sobre a execução do plano e 30 dias para a prestação de contas final.
  • Eventuais recursos de credores contra a sentença.
  • As frentes criminais seguem abertas: na semana anterior à decisão, a Justiça Federal no Rio tornou réus 12 ex-executivos. A Americanas afirma ter sido vítima de uma fraude "estruturada e de natureza dolosa".
  • O desempenho da companhia na Black Friday e no balanço do terceiro trimestre, cuja data não foi informada nas fontes consultadas.

Fontes consultadas

  1. Bloomberg Línea
  2. Poder360
  3. InfoMoney
  4. Meio & Mensagem
  5. Conjur
  6. Times Brasil (licenciado CNBC)
  7. Americanas — Fato relevante de 25/03/2026 (pedido de encerramento)fonte primária

Texto por Luiz Felipe. Revisão: Julia Jesus.

Matéria produzida com apoio de inteligência artificial e revisada pela equipe da Spark.