O Grupo Magalu começou a vender, na quinta-feira (15), produtos do estoque próprio do Magazine Luiza e do KaBuM! na Shopee. Os itens, das categorias de eletrodomésticos, eletrônicos, móveis, games e informática, aparecem na seção Lojas Oficiais do site e do aplicativo, e as entregas ficam a cargo da Magalog, operadora logística do grupo. Segundo a Shopee, cerca de 90 milhões de brasileiros acessam a plataforma por mês. A empresa não divulgou quantos produtos entram na operação nem as metas de venda.
A Shopee é a terceira parceria desse tipo anunciada pelo Magalu em 2026. Em junho, o grupo passou a vender na Amazon, com mais de 12 mil produtos, e em setembro no Mercado Livre, com cerca de 27 mil itens, segundo o Canaltech. Antes disso, a varejista já tinha acordos de venda cruzada com o AliExpress, desde 2024, e com a Americanas, desde novembro de 2025. Nesse modelo, chamado de 1P (first party), a própria empresa é a vendedora: compra o produto, mantém o estoque e responde pela entrega, diferentemente do lojista terceiro que apenas anuncia na plataforma.
De acordo com o Estadão Conteúdo, o acordo com a Shopee tem cláusulas de reciprocidade, não exclusividade e garantia de rentabilidade positiva. A operação faz parte de um novo ciclo estratégico do grupo, que busca vender mais o próprio estoque em marketplaces parceiros para alcançar públicos fora dos seus canais. O movimento ocorre num período de pressão sobre o resultado: no segundo trimestre de 2026, o Magalu teve prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões, ante lucro de R$ 1,8 milhão um ano antes, segundo a Exame.
O que muda para as empresas
O principal argumento do Magalu é a aquisição de clientes. O vice-presidente Fabrício Garcia afirmou à Exame e ao Canaltech que mais de 75% dos compradores na Shopee devem ser clientes novos para o grupo, a mesma proporção observada nas parcerias com Amazon e Mercado Livre. Garcia também citou o aumento do custo da publicidade digital como um fator que torna esses acordos mais atrativos: em vez de pagar para levar tráfego ao próprio site, a empresa vai até onde o consumidor já está. O executivo disse não esperar canibalização relevante dos canais próprios, que somam mais de 50 milhões de usuários ativos mensais no aplicativo.
Para lojistas que vendem eletrônicos, eletrodomésticos e móveis na Shopee, a entrada significa concorrência de uma rede com estoque próprio, logística dedicada e marca conhecida. O acordo dá ao Magalu acesso às campanhas comerciais da plataforma, como as datas duplas do tipo 11.11, e às ferramentas de comércio social: transmissões ao vivo, vídeos de produto e a rede de criadores e afiliados, que a Shopee diz superar 10 milhões de pessoas no Brasil. Ao mesmo tempo, o grupo afirma que deixará de se posicionar como marketplace generalista e vai concentrar os próprios canais em casa e tecnologia.
A logística é outra frente. A Magalog atende cerca de 100 clientes externos e faturou mais de R$ 3 bilhões em 2025, segundo o Estadão Conteúdo. Garcia disse à Exame que quer aumentar o volume transportado para ganhar densidade de rotas e reduzir o custo de entrega, o que coloca a operadora como concorrente de outras empresas de logística para o varejo.
“Queremos transformar essa audiência adicional da Shopee em crescimento sustentável”
— Frederico Trajano, CEO do Magalu, segundo o Estadão Conteúdo
O que observar a seguir
O teste da estratégia vem no quarto trimestre, que concentra o 11.11, a Black Friday e o Natal; a direção espera retomar o crescimento das vendas online nesse período, segundo a Exame. Garcia afirmou que a Shopee deve ser o último anúncio de parceria do grupo em 2026 e que a prioridade passa a ser ampliar o volume nos canais já abertos. Os próximos sinais a acompanhar são o resultado do terceiro trimestre, a eventual divulgação do peso dos marketplaces parceiros nas vendas e a reação de concorrentes que ainda dependem principalmente de canais próprios.
Fontes consultadas
- Exame — Magalu agora vende na Shopee: o que a varejista ganha ao entrar na casa da concorrente
- Estadão Conteúdo (via Diario de Pernambuco) — Magazine Luiza entra na Shopee para acelerar vendas de produtos do estoque próprio
- Meio & Mensagem — Magalu inclui Shopee entre seus canais de venda
- Canaltech — Magalu e KaBuM! começam a vender produtos oficiais no concorrente Shopee

